Melhor Prevenir do que Curar

2 out

Algumas vezes participei diretamente da vacinação de crianças, aplicando gotinhas contra a paralisia infantil, como rotariano. Antes, como diretor do Centro de Saúde, já controlava toda a vacinação infantil, seguindo as determinações emanadas dos órgãos públicos.

O Rotary Internacional vem promovendo, junto com a ONU, a OMS e governos de diversos países e outras organizações, um intenso trabalho no sentido da erradicação da poliomielite – conhecida como paralisia infantil – da face da Terra. Grandes doações têm sido feitas pelo Rotary no mundo inteiro para compra, distribuição e aplicação das vacinas a toda população mundial. Infelizmente, a doença ainda resiste, em pequenos focos, nos países mais pobres, onde há conflitos armados, como na Ásia e África, apesar dos esforços empreendidos.

O médico inglês Edward Jenner é considerado o inventor da vacina, quando ainda não havia conhecimentos da microbiologia moderna, instituída pelo cientista francês Louis Pasteur, em meados do século XIX.

Acreditava-se na teoria da geração espontânea, que consistia na origem dos seres vivos a partir da natureza morta, como corpos em decomposição e lodo do fundo dos rios. Jenner observou que as vacas apresentavam umas pústulas no úbero, chamadas de vacinas, que passavam para as mãos dos ordenhadores, e que esses nunca tinham a pele marcada pela bexiga, cicatrizes de varíola na face.

Por volta de 1770, Jenner iniciou a aplicação dessas feridas nos braços de outras pessoas e aguardou um novo surto de varíola, o qual ocorria, aproximadamente, a cada dez anos, para confirmar a sua assertiva de que os ordenhadores não apresentariam a doença.

Validada a sua experiência, informou à Academia Real de Ciências, que o autorizou a estender a prática. Estava assim iniciada a prevenção das doenças pela vacinação, hoje aplicada contra muitas enfermidades. Ressalte-se que naquela época nada se sabia a respeito de micróbios e muito menos de imunologia. Daí o reconhecimento à genialidade do médico.

Atualmente, a medicina está muito mais voltada para a prevenção. A curativa nos é essencial, porém vai perdendo terreno, tanto nos procedimentos cirúrgicos quanto na administração de medicamentos. Não é só por meio de vacinas, mas nas diversas condutas do nosso dia a dia, com medidas gerais, como o tratamento dos esgotos, das águas e a ação da vigilância sanitária.

É sempre bom lembrar que o hábito de lavar as mãos antes de realizar o parto reduziu as infecções puerperais, ainda no século XVIII. Os cientistas caminham para estudos de prevenção de doenças com a manipulação do DNA, num avanço presumível.

A genética, a sustentabilidade e a preservação do meio ambiente passam a contribuir no combate às doenças de um modo geral.

Aquela máxima de Hipócrates, de forte apelo emocional, tende a cair no esquecimento: “Sedare dolorem divinum opus est. ” (Aliviar a dor é obra divina.)

Folhas de Figo e outras crônicas

Capa do Livro Folhas de Figo. Texto extraído das página 31 a 33.

 

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Uma resposta to “Melhor Prevenir do que Curar”

  1. Emmanuel Almeida 25 de fevereiro de 2015 às 0:24 #

    Conheci o Dr Carlos Pereira quando eu ainda era um menino de 8 anos, corria para abrir a porteira do Sítio São Carlos quando a família passava fim de semana descansando. Pais e filhos numa presença sempre marcante. Sinto muito o acontecido, que Deus o abençoe na sua eternidade.

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