166 anos de Memórias

6 jun

Em 31 de Maio de 1850 surgia no interior da província de Minas Gerais uma pequena vila. Ela, que não ficava na rota do ouro, acolheu novos tipos de pessoas influentes da época, que estavam iniciando a plantação de café na região.  Hoje conhecida como Juiz de Fora, em razão de um cargo comum no século XIX, o juiz de foro. Na última reunião (31) do Rotary Norte pesquisadora na área de comunicação e memória, Christina Musse, todos os episódios marcantes da história Juiz de Fora.

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Christina Ferraz Musse é professora da UFJF e Rotariana.

“Encontrar os resquícios do passado na fala ou comportamento dos juiz-foranos não é difícil. A exemplo disso, temos a famosa expressão “Manchester mineira” ou “princesinha de minas”. Depois da virada do século XX, Juiz de Fora passou a ser o futuro de Minas. Foi através dessa perspectiva de vida que muitas personalidades decidiram investir na cidade, como por exemplo, Bernardo Mascarenhas, responsável por trazer à JF empreendimentos como a usina hidrelétrica. Na época, a primeira do tipo em toda a América Latina”, conta Cristina.

A urbanização da cidade, que desde sua fundação foi muito precoce, também veio através de outros grandes nomes, como Henrique Halfeld. Em sua fala Christina aponta uma característica que observou durante seus anos de pesquisa: “as elites antes da metade do século XX se preocupavam em investir no espaço da cidade”. Segundo Musse, esta era uma prática comum entre os empreendedores, principalmente porque não existia um governo capaz de realizar todas as urgências das cidades.

“Nesses 166 anos de história, muita coisa também deixou de acontecer. Aos olhos das antigas famílias, Juiz de Fora seria a capital do estado, urbanizada, referência… uma grande metrópole. O sonho não se tornou realidade neste aspecto, mas fez com que a cidade crescesse culturalmente, seja na literatura, com Murilo Mendes, ou na arquitetura urbana.

Um dos fatos mais marcantes desses anos de história se deu em 1964, quchristina musseando a cidade foi protagonista e articuladora do golpe civil militar que perdurou durante 20 anos no país. As tropas do general Mourão Filho saíram de Juiz de Fora e anos mais tarde a cidade se tornou cenário das torturas e dos aprisionamentos políticos.

Essas e outras memórias foram escritas por Christina em seu livro “Imprensa, cultura e imaginário urbano: exercício de memória sobre os anos 60/70 em Juiz de Fora”. A curiosidade sobre o futuro da cidade de lembranças tão marcantes é inevitável. Muito segura, Christina finaliza falando que hoje o crescimento da cidade se dá pela economia do conhecimento. O investimento agora passa a ser nos juiz-foranos e naqueles que buscam aqui a oportunidade de estudo através da Universidade.

 

 

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